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Piolho: não deixe que ele suba à cabeça
Ele vem infestando cabeleiras desde tempos imemoriais e é citado até na Bíblia. Assim como outros insetos, povoará a Terra para sempre, mas - tomara! - não necessariamente habitará a sua casa
Por Thais Szegö
Voraz, para dizer o mínimo, ele pulula a cabeça de uma em cada quatro crianças, fartando-se de sangue. Isso quando não passa para os fios de gente grande. O problema é antigo e sua incidência só faz crescer. “O grande mito a ser derrubado é que o piolho adora um cabelo sujo”, diz o biólogo Carlos Fernando Andrade, do Departamento de Zoologia da Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista. Ao contrário: o danado costuma adorar fios lavados todo santo dia.

Ah, piolho tampouco faz distinção de classe social. “Qualquer pessoa está sujeita à infestação”, declara Júlio Vianna Barbosa, biólogo do Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. “Prova disso é que países de primeiro mundo, como o Japão, a Alemanha e a França, têm tantos casos quanto o Brasil”, diz ele, que é PhD em parasitologia — e tão expert nessa espécie que adotou o apelido de Doutor Piolho até no e-mail de trabalho!

Como o bicho tem fama de brega e sujo, todo mundo se segura para não se coçar — e se entregar — quando ele sobe à cabeça. “Os pais nem sempre avisam a escola e aí a criança transmite o parasita aos colegas”, nota Júlio Barbosa. Essa omissão — diga-se — está por trás do aumento dos casos.

Embora a garotada seja o alvo preferido, o piolho não despreza hospedeiros adultos e adolescentes. Só que estes, sobretudo, contam com uma vantagem: “Na puberdade as glândulas sebáceas produzem, além do sebo, um hormônio que é um veneno para o inseto”, conta o tricologista Valcinir Bedin, do Instituto de Pesquisa e Tratamento do Cabelo e da Pele, em São Paulo.

Uma pesquisa da Universidade Federal do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, em parceria com a Fiocruz, em Campos, no Rio de Janeiro, revela que 70% das pessoas dessa cidade fluminense já tiveram pediculose, o nome científico da infestação por piolhos. Para dar cabo deles, metade dos entrevistados usou substâncias perigosas, entre elas — pasme! — gasolina, inseticidas comuns e até desinfetantes, como a creolina. “E tem ainda gente que lançou mão de plantas, achando que o que é natural não faz mal. Errado. Muitas são tóxicas”, alerta Júlio Vianna Barbosa.

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