Compotas têm gosto de avó?
Noutro dia, uma amiga devorava a segunda porção de uma compota e, quando descobriu que o doce tinha sido feito lá em casa, ela me olhou espantada: “Nossa! Quem faz compota é vovó!”
Eu fiquei mais espantada ainda, mas logo entendi que havia naquelas palavras uma grande verdade: compotas lembram mesmo uma vovozinha amorosa mexendo tachos e panelas ou personagens deliciosos com a Tia Anastácia, que Monteiro Lobato colocou – para tornar muitas infâncias mais felizes – à beira do fogão do Sítio do Picapau Amarelo. Acho mais: compotas têm cheiro e sabor de um interior de Brasil que existe em cada um de nós. Compotas têm, sim, sabor de aconchego.
Cheguei ao ponto – não ao da calda do doce, mas ao deste texto. Acredito que nós, mães, não devemos focar estritamente a nutrição de nossos filhos. Leio com muito carinho as mensagens de vocês, internautas, e noto que há uma enorme preocupação com vitaminas, fibras, sais minerais. Estão certas, parabéns! Ainda mais em tempos de obesidade, temos mesmo é que zelar por uma alimentação equilibrada e saudável para a criançada. Mas cozinha também é, essencialmente, lugar de afeto e o que sai dela muitas vezes nos alimenta de emoções. Por isso, experimente preparar para o seu pequeno esta porção de carinho, que remete (ou remeterá, lá para frente) a tantas coisas boas.
A minha sugestão é um doce de banana que, por ironia mais doce ainda, é uma receita da minha avó, com um truquezinho antigo e malandro no meio – afinal adoro dividir os macetes culinários que aprendi no berço. Ah, não foi a compota que a minha amiga experimentou. Para ela, eu servi uma de tomate (tomate, sim!). E, se você pedir, posso ensiná-la qualquer dia desses...
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