
A primeira coisa que observei na indústria do bebê é o fato de ser constituÃda, em grande parte, por empresas familiares de pequeno e médio porte. Claro, há, dentro dessa indústria, um segmento profissional, constituÃdo por grandes companhias, a maioria delas multinacionais. Tratam-se dos fabricantes dos itens de higiene infantil, o que inclui desde lenços umidecidos para limpar o bebê até shampoos, hidratantes e colônias, sem esquecer, óbvio, das fraldas.
Tentei levantar o montade de dinheiro que a indústria do bebê movimenta no Brasil. Não consegui muitos números, até porque os donos dos negócios familiares de pequeno e médio porte de que falei acima não costumam revelar a jornalistas seus volumes de vendas e faturamentos. Mas para se ter uma idéia, apenas o segmento de produtos descartáveis, o que inclui as abençoadas fraldas, movimenta pouco mais de 3 bilhões de dolares anualmente no paÃs.
É, sem dúvida, uma indústria próspera. Embora a taxa de nascimento venha caindo sensivelmente no Brasil – hoje nascem no paÃs 7.536 bebês por dia; há dez anos, nasciam 8.921 – o consumo per capita é o que parece fazer a diferença. Um bebê que nasce hoje consome pelo menos o dobro de produtos do que consumiam os bebês de dez anos atrás. A qualidade e a diversidade falam mais alto que a quantidade. Há uma quantidade notável de soluções quÃmicas para o bem estar da criança e dos pais. Há soluções tecnológicas de toda sorte para a segurança dos pequenos. Lembram aquela criança européia que caiu nos trilhos do trêm e que foi salva graças ao bebê-conforto? Os carrinhos (não consegui apurar quantos são vendidos por ano no Brasil), boa parte deles fabricados por marcas italianas, são, como já disse aqui, verdadeiras naves espaciais: confortáveis, seguras e pretensamente fáceis de transportar. Mas há também artesanato e arte. Aos montes. E bons. E belos. Uma empresária que há treze anos cria e comercializa delicadas peças de decoração para a porta do quarto da maternidade e para o próprio quarto da criança, disse-me que vê a indústria do bebê menos pródiga do que a do casamento, mas não tem dúvidas de que ela não para de crescer.
A potencia do mercado também pode ser observada pela quantidade de polos especializados que pululam nos grandes centros urbanos. Além de shoppings e grandes redes de lojas dedicados ao consumo dos anjinhos, há quinze anos surgiu uma feira exclusiva para as gestantes e seus rebentos. Realizada regularmente no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e BrasÃlia, a Feira da Gestante, também conhecida como Feira do Bebê, vem atraindo cerca de 10 mil visitantes por edição, sendo 90% desses visitantes mulheres em plena gestação. Não visitei ainda, mas deve ser interessante ver tantos barrigões em um mesmo recinto. Me lembra um certo filme, cujo nome agora me fugiu.
Nosso Pequeno Boxeador, que já está com oito meses e duas semanas, anda contribuÃndo muito nos últimos dias para a prosperidade da indústria do bebê. No geral, vimos mantendo o bom senso, comparando e pesquisando preços. Mas fizemos pelo menos uma compra idiota. Sabe aquela história de pagar uma fortuna por um produto e encontrar o mesmo na loja vizinha pela metade do preço? Dá uma raiva danada. Mas estamos – sem perder o humor e a confiança no livre mercado – arranjando uma forma de protestar e mostrar à loja que ela pratica preços abusivos.
De resto, estamos usando o feriadão da Consciência Negra para as últimas providências do enxoval e do quarto. Praticamente já decidimos a maternidade. Vamos bater o martelo na próxima consulta do pré-Natal, que será na terça-feira, dia 24. Bem, agora, deixe eu correr lá no quarto porque parece que o Pequeno Boxeador acaba de entrar no ringue: “Nossa, como ele está mexando, pulando”, gritou Magie. Na verdade, acho que o que ela quer mesmo é uma massagem nos pés, que estão umas pipas.
Hamilton dos Santos é jornalista, diretor de Treinamento e Comunicação Interna do Grupo Abril. É graduado em Filosofia pela USP, onde atualmente cursa mestrado em estética. É um tenista disciplinado e tem uma coisa em comum com Gustavo Kuerten, o Guga: uma lesão irreversível no quadril. É casado há 21 anos com Margarete Victorio, publicitária. Com ela divide a mais excitante experiência de sua vida: provocar a existência e cuidar da chegada do primeiro filho do casal, João Pedro, o Pedrinho, prevista para dezembro próximo.
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