Luciana BelliboniCOLUNISTAS
E o pequeno vai para o berçário
Por Luciana Bertolucci Belliboni*
Dani carrega a mochila e o pequeno Pedro para o berçário. Juntos vão também um tanto de culpa e remorso. Afinal, a decisão de entregar o filho aos cuidados de terceiros não é fácil e exige muito dos pais. Cada casal precisa analisar sua realidade, suas necessidades e principalmente o que julga ser o melhor para o seu bebê. Isso significa uma longa pesquisa, que inclui visita a várias escolas, conversas com pediatra e educadores e a troca de sensações e experiências com outros pais. Nada como uma boa referência!
Definido o local, algumas medidas podem ajudar bastante. Para a Dani, que terminava a licença-maternidade e ia voltar a trabalhar, era fundamental sentir que o pequeno estaria seguro enquanto ela estivesse fora. E a mãe encontrou uma maneira de tornar essa transição menos brusca. Para amenizar a sua aflição e tornar a separação mais suave, ela começou a levar o Pedro à escolinha um mês antes de retornar ao escritório.
E foi fazendo isso aos pouquinhos. Aumentando gradativamente o tempo de permanência do baixinho no seu novo ambiente. Adaptação para ele e para ela, que, além de se organizar emocionalmente, teve chance de arranjar sua rotina.
Dani confessou que os primeiros dias foram bem complicados. Pela sua cabeça, ainda passavam questões como: “Não teria sido melhor a criança ficar com as avós?” Isso a deixaria profundamente sossegada, mas por outro lado não seria justo com sua mãe e sua sogra, que já fizeram muito cuidando dos próprios filhos. E como diz o ditado: “Quem pariu Mateus que o embale!”
Outro pensamento dizia respeito à educação: “O neto estaria se fartando de mimos e regalias e, pela lei da compensação, se às avós fosse entregue o dever da responsabilidade, era natural que recebessem também o direito a interferir e opinar no desenvolvimento da criança”.
Felizmente, uma vantagem do berçário era indiscutível: Pedro não ficaria sozinho durante o dia. A convivência com outras crianças o tornaria mais sociável e os cuidados especiais que a equipe de profissionais oferece, além de acelerar o desenvolvimento do bebê, contribuem para uma rotina mais organizada, com horário para comer, tirar a sonequinha, banho...
Todas essas questões eram colocadas na balança, ao mesmo tempo em que o dia-a-dia trazia as respostas. Dani chorou muitas vezes, pensou em largar o emprego tantas outras e, de verdade, só ficou mais tranquila quando se propôs a tentar. E, na tentativa, teve retornos importantes para se sentir mais confiante e feliz.
Hoje ela vai trabalhar com a certeza de que encontrou um lugar seguro e divertido para seu pequeno. “Aprendi que o principal não é ele ter meu colo por todo o tempo, mas que tenha meu colo por inteiro quando estivermos juntos! Quando vou buscá-lo no berçário, chego com a certeza de que estamos cuidando do seu futuro e, mais do que uma escolha, essa opção foi uma oportunidade para ele.”
Dizem os mais velhos que não se fazem mais mães como antigamente. Discordo! Acredito na força e na coragem dos pais jovens que administram seu tempo se focando na qualidade e que, mesmo nas mais duras decisões, imprimem uma quantidade de amor absurdamente linda!
* Luciana Bertolucci Belliboni é pedagoga de São Paulo.
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