Luciana BelliboniCOLUNISTAS
Eu quero o papai!
Por Luciana Belliboni*
Nove meses na barriga e o corpo da mulher se transforma para que ele cresça. Depois: colo, mamadas, carinho em tempo integral.
O bebê depende tanto da mãe que ela se convence de que ele é só dela. De repente, no entanto, o pequeno descobre (e as mães também) que existe outra figura importante em toda essa história: o pai.
Bate aquele ciumezinho. Afinal, no coração da mãe, ela é que deveria ter a preferência absoluta! Coisa que, lógico, a cabeça entende, mas o coração teima em discordar.
Acostumada a sentir durante longos meses o bebê se agarrar a seu pescoço, segurar em sua mão e apenas dormir no seu colo, a mãe se apodera dessa relação, que passa a ser a sua prioridade – para ser franca, acho que isso não passa nunca!
De uma hora para outra, quando a criança começa a escolher o papai pra fazer tudo, o choque é grande. E piora um pouquinho com o tempo.
Explico: à medida que a criança cresce, crescem também as suas solicitações, cobranças, teimosias. São da mãe a maioria dos “pode e não pode”, “deixo ou não deixo”, “hora disto, hora daquilo”. Quando o pai aparece, essa longa jornada já foi cumprida e sobra tempo para a folia e o carinho.
O “não” do pai costuma ter mais força não só porque sua figura impõe autoridade, mas simplesmente pelo fato de a criança escutar dele menos ordens durante o seu dia!
A verdade, no entanto, é que essa divisão de tarefas significa a soma. O pequeno precisa na mesma medida da doçura da mãe e do limite do pai. Jamais pense em pedir para a criança escolher um ou outro. Isso seria subtrair! Tirar dela a oportunidade de amar e, mais do que isso, amar cada um de uma maneira. Aqui contamos também com a personalidade de cada um e com a possível afinidade, que independe do querer bem.
Cada um tem seu papel, seu espaço garantido, seus deveres e suas regalias! E, para ajudar nessa função compartilhada, é importante que regrinhas sejam estabelecidas e respeitadas (ou seja, que nenhum desautorize o outro, o que deixaria a criança confusa).
Que não se crie uma competição nunca. Escuto muito que “mãe é mãe”. Está sempre disposta a correr para o filho, abrir mão de qualquer coisa e fazer qualquer sacrifício, enquanto os pais às vezes são omissos, desinteressados e distantes. Assim, sorte a sua se o seu companheiro está criando uma relação de tamanha proximidade com o seu baixinho e conquistando esse espaço.
Sorte maior ainda da criança, que tem um pai disposto a brincar e bagunçar, rolar na cama, trocar a fralda, contar histórias, fazer dormir. São esses os momentos que asseguram a intimidade e reforçam os elos de confiança e amizade, segurança e amor!
A coisa mais linda que já ouvi de uma criança foi quando perguntaram de quem ela gostava mais, do papai ou da mamãe, e ela respondeu: “Eu amo mais minha família!”
* Luciana Bertolucci Belliboni é pedagoga de São Paulo.
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