Luciana BelliboniCOLUNISTAS
Mais alguém vai chegar
A chegada do segundo filho costuma ser cercada de ansiedade. E a maior dúvida dos pais é como preparar o primogênito para a novidade. Paciência, dedicação e poucas cobranças em relação à criança são de extrema importância
Por Luciana Belliboni*
Como preparar a criança para a chegada do irmãozinho? O primeiro conceito, e um dos mais importantes nessa situação, como em todas da educação das crianças, é o de nunca se esquecer da verdade.
Os fatos da nossa realidade apresentam sempre suas compensações e seus preços e o que os torna mais leves é a forma natural e positiva com que lidamos e ensinamos nossos filhos a lidar com eles. A própria afirmação “Você vai ganhar um irmãozinho?” já traduz esse ganho, esse presente, essa possibilidade de convivência e amizade, mesmo que isso signifique dividir o reinado.
Mas não esperem que o pequeno reconheça esse valor. Não façam imensos discursos sobre essa felicidade. Não antecipem as sensações. Não façam muito alarde sobre o quanto será legal ter alguém para brincar porque, até que isso seja possível, provavelmente ele não vai achar mesmo muita graça naquele toquinho de gente.
Por outro lado, cuidem da ansiedade e não deem uma dimensão exagerada para essa nova situação ao colocar um tom de problema que não existe. É, sim, um desafio maravilhoso aumentar uma família e com certeza isso será fantástico para todos.
Deixem com que a adaptação a esse novo universo aconteça naturalmente com a chegada do nenê. Estejam atentos e dispostos a driblar o ciúme e até uma tentativa de “regressão”. É muito natural, por exemplo, que para chamar a atenção a criança resolva imitar o recém-chegado querendo mamar, solicitando os pais para coisas que já fazia sozinha, acordando novamente a noite, querendo a chupeta. O que faz a criança agir assim é perceber vantagens, ganhar mais carinho e mais tempo dos pais.
Só que não é positivo permitir isso porque não é saudável compensar. Positivo é o aprendizado e aqui, antes de somar, seu filho vai começar a aprender a dividir. Não digam: “Você é o irmão mais velho, é maior”. Em vez disso, afirmem: “Você já sabe isso, você já pode isso, que lindo!” ou “Você pode ensinar seu irmãozinho”. Deixem a possibilidade, mas nunca a obrigação.
Assisto com frequência adultos dizendo: “Dê o seu brinquedo para ele. Você é maior. Dê para o seu irmãozinho que é tão pequeno”. Sem querer, impomos uma responsabilidade e uma notável desvantagem em crescer. E ser o irmão mais velho pode significar carregar um peso desagradável. Dividir, agradar, dar, ceder são atitudes bonitas entre pessoas independentemente da idade que têm! Cuidem das necessidades de cada uma das crianças levando em conta a idade e o temperamento, mas individualmente e não comparativamente.
Outro ponto: na chegada do segundo filho, a ajuda do pai ou até mesmo de outra pessoa é essencial para amenizar a “nossa culpa” descabida, mas não rara nessa hora. Deixem que a criança participe da organização da casa e do novo quarto. Mostre a ele as fotos e o filme do nascimento dele, dos primeiros dias, relembre a alegria e a festa que foi quando chegou e incentive assim esse mesmo sentimento por quem vai chegar agora. E deixe, assim, que o carinho e a segurança acomodem sem demora essas novas emoções.
* Luciana Bertolucci Belliboni é pedagoga de São Paulo.
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