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Vitamina C na gravidez: uma aliada da inteligência do seu bebê
Estudo levanta a hipótese de que a falta de vitamina C na gravidez, bem mais comum do que você imagina, poderia interferir no desenvolvimento cognitivo do bebê. Então, para que arriscar?
Por Maria Luiza Lara
Cientistas da Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, levantam uma suspeita interessante: se a mulher consumir menos vitamina C do que deveria durante a gestação e até mesmo no período pós-parto, isso acabaria afetando a inteligência do seu filho. É que o ácido ascórbico, como esse nutriente também é conhecido, interfere no desenvolvimento cognitivo da criança.

Na barriga da mãe, o cérebro do feto se desenvolve em um ritmo muito acelerado e isso produz, sem querer, uma série moléculas de radicais livres. Elas, por sua vez, precisam sair de cena – ou atrapalham um bocado. A vitamina C, fornecida pela mãe, age nessa hora, neutralizando os tais radicais, deixando o sistema nervoso sem obstáculos para alcançar seu potencial máximo. O mesmo fenômeno pode acontecer no recém-nascido. Nele, o cérebro continua se desenvolvendo em pleno vapor e precisando da vitamina – fornecida por tabela pelo leite materno – para se livrar dos radicais em excesso.

A constatação de que a vitamina C não pode faltar na dieta materna vem do estudo encabeçado pelo biomédico dinamarquês Jens Lykkesfeldt. É bem verdade que ele e seu time observaram cobaias fêmeas e seus filhotes. “Mas passamos a nos questionar se, com os seres humanos, não aconteceria o mesmo”, conta ele ao site do Bebê. “Ainda não sabemos se somos tão vulneráveis às deficiências dessa vitamina como as cobaias. No entanto, suspeitamos que a falta do nutriente durante a gravidez e logo após o parto levaria a uma redução do número final de células cerebrais e isso, consequentemente, acarretaria em uma espécie de diminuição de competências mais tarde.” Em outras palavras, uma dieta fraca em ácido ascórbico na gestação pode comprometer a potencialidade de raciocínio, memória e aprendizagem da criança.

Mulheres, em geral, deveriam consumir 75 mg de vitamina C todo dia. Se estão grávidas, então, nem se fala... Para elas, o certo é somar mais 10 mg, ou seja, consumir 85 mg do nutriente diariamente. Quando o bebê nasce e começa a ser amamentado no peito, o consumo da mãe precisa subir ainda mais: a recomendação oficial passa a ser 100 mg diários.

O problema é o seguinte: no Brasil, quatro em cada dez gestantes apresentam carência de vitamina C por causa de uma alimentação inadequada. Independentemente da hipótese de o nutriente incrementar a inteligência dos bebês, só esse dado já serve de alerta para que todas as brasileiras fiquem de olho na dieta. “Essa vitamina é hidrossolúvel, isto é, ela se dissolve na água”, explica a nutricionista especialista em química funcional Denise Samari, de São Paulo, que tem experiência orientar gestantes. Por isso, o organismo pode perdê-la com a maior facilidade – pelo suor, pelo xixi... Não adianta se entupir de vitamina C hoje e se esquecer de colocá-la no prato amanhã, porque o que for consumido agora logo será usado ou se perderá.

Por essas e outras, o consumo de vitamina C deve ser disciplinado, constante. “As frutas devem ser consumidas frescas e as verduras ricas nesse nutriente devem ser cozidas preferencialmente no vapor ou com pouca água”, ensina Denise Samari. Veja quais são os alimentos campeões nessa vitamina e capriche.

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